
O Partido Liberal (PL), principal força de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional, divulgou um levantamento nesta segunda-feira (31/03) que aponta para um apoio significativo, inclusive dentro da base aliada do governo, ao projeto de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e na alegada trama golpista.
De acordo com os cálculos do PL, o partido possui o apoio de 68% dos deputados das legendas que compõem a base de sustentação do governo Lula na Câmara dos Deputados. Essa constatação surge em um momento em que o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro intensifica a pressão para que a proposta seja colocada em votação no plenário da Casa.
O governo Lula conta atualmente com sete partidos aliados na Câmara: União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSD, PDT e PSol. Embora essas siglas possuam representantes em ministérios do governo, elas não integram o núcleo mais próximo do presidente, formado pela federação PT-PCdoB-PV e pelo PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Somados, os partidos aliados reúnem 272 deputados. O levantamento do PL aponta que 186 desses parlamentares, o que corresponde a 68,69% do total, manifestaram apoio ao projeto de anistia. A proposta, caso aprovada, poderia beneficiar o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe.
Republicanos e PP Lideram Adesões entre Aliados
Entre os partidos aliados ao governo Lula, o Republicanos, sigla do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), e do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, é o que apresenta a maior taxa de adesão ao projeto de anistia na lista do PL, com 95% de apoio de seus parlamentares. Em seguida, aparece o PP, partido do ministro do Esporte, André Fufuca, com 90% de respaldo à proposta.
O PSD, partido dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca), e o União Brasil, que também possui três ministros (Juscelino Filho, Celso Sabino e Waldez Góes), registram ambos 80% de apoio ao projeto de anistia em suas bancadas, segundo o levantamento do PL.
O MDB, partido dos ministros Renan Filho (Transportes), Simone Tebet (Planejamento) e Jáder Filho (Cidades), apresenta um apoio menor ao projeto, com 40% de seus deputados aderindo à proposta. Entre os aliados com ministérios que não fazem parte do núcleo central do governo, apenas o PDT, do ministro Carlos Lupi (Previdência), e a federação PSol-Rede, das ministras Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente), não possuem parlamentares que manifestaram apoio à anistia, de acordo com o PL.
Governo Lula se Posiciona Contra a Anistia
Apesar do levantamento do PL indicar um apoio considerável dentro da base aliada, o governo Lula tem se posicionado publicamente contra a proposta de anistia. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), classificou o projeto como “negativo” para o Congresso.
Em declarações ao Metrópoles, Guimarães afirmou que seria necessário, no mínimo, aguardar eventuais condenações no Supremo Tribunal Federal (STF) antes de sequer considerar a proposta. “Depois de tudo, só quem não tem o mínimo de juízo vai querer votar. É um tema indigesto, vai complicar as relações aqui dentro. Não é para o debate, há uma ação no STF, temos que esperar o desfecho final. Anistia para quem? Ninguém foi condenado ainda. É um tema prejudicial, um atentado ao funcionamento democrático”, declarou o líder governista.
A articulação do PL em busca de apoio para o projeto de anistia dentro da base aliada de Lula revela uma divisão no campo governista em relação ao tema. A pressão do partido de oposição para a votação da proposta promete gerar intensos debates e tensões no Congresso Nacional nas próximas semanas.