
A Polícia Federal (PF) deve concluir e enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (21) o relatório final sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil após as eleições presidenciais de 2022. O documento deve conter o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de militares e de ex-ministros, com base em provas que indicam envolvimento no planejamento e na tentativa de execução de uma ruptura institucional para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo fontes ligadas à investigação, o relatório será contundente ao apontar a responsabilização de Bolsonaro e de outros envolvidos, incluindo o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa; Valdemar Costa Neto, presidente do PL; e Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Processo no STF
O documento será enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, que encaminhará o relatório para análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se apresenta uma denúncia formal ao Supremo ou se solicita a realização de novas diligências.
O indiciamento não deve incluir pedidos de prisão, mas pode ser complementado com elementos adicionais coletados em fases posteriores da investigação, especialmente após a recente operação Contragolpe.
Provas robustas e novas revelações
Investigadores afirmam que o relatório final da PF está robustamente embasado e trará novidades sobre a organização dos atos golpistas. O inquérito, iniciado logo após os ataques de 8 de janeiro, já apontava, desde junho, a existência de elementos suficientes para o indiciamento de Bolsonaro, conforme antecipado pela imprensa.
O relatório detalhará as ações de diferentes núcleos do suposto plano de golpe, incluindo reuniões e comunicações que envolveram tanto civis quanto militares em tentativas de articular uma intervenção militar.
Impactos e próximos passos
Caso a PGR opte pela denúncia, o STF poderá julgar os acusados entre abril e junho de 2025. A responsabilização de Bolsonaro e de membros de sua equipe terá desdobramentos políticos e jurídicos de longo alcance, podendo influenciar a dinâmica da oposição ao governo Lula e a disputa eleitoral de 2026.