Manuela d’Ávila deixa o PCdoB após mais de 20 anos de filiação

A saída da ex-deputada Manuela d’Ávila do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi oficializada no domingo (3), encerrando uma trajetória de mais de duas décadas na legenda. Em nota, a Executiva Nacional do PCdoB lamentou a decisão da política gaúcha, reconhecendo que houve “diálogo persistente e respeitoso” com Manuela na tentativa de evitar o rompimento. “Respeitamos, mas lastimamos tal decisão. Ser membro do PCdoB é um ato de liberdade e de convicções”, declarou o partido.
A decisão de Manuela foi anunciada há cerca de duas semanas, em uma fala durante debate promovido pelo portal ICL Notícias. Na ocasião, ela afirmou que a desfiliação não foi uma escolha, mas sim uma necessidade diante do cenário político atual. “Depois de [quase] 25 anos num único partido, eu não sou uma mulher sem partido por opção, eu sou por falta de opção”, explicou Manuela, sugerindo que diferenças de visão com o partido influenciaram a decisão.
Carreira política e trajetória no PCdoB
Manuela Pinto Vieira d’Ávila, de 43 anos, começou sua vida pública no movimento estudantil. Em 2004, aos 23 anos, foi eleita a vereadora mais jovem de Porto Alegre, ganhando destaque por seu perfil combativo e progressista. Dois anos depois, em 2006, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, onde cumpriu dois mandatos consecutivos.
Em 2014, foi eleita deputada estadual no Rio Grande do Sul, cargo que ocupou até 2018. No mesmo ano, integrou a chapa de Fernando Haddad (PT) como candidata a vice-presidente, na disputa pela presidência da República. Em 2020, Manuela se lançou como candidata à Prefeitura de Porto Alegre, sendo derrotada por Sebastião Melo (MDB) no segundo turno. Dois anos depois, em 2022, seu nome chegou a ser cogitado para o Senado, mas ela optou por não concorrer.
Impacto e reações no cenário político
A saída de Manuela representa uma perda significativa para o PCdoB, que há tempos a via como um dos rostos mais reconhecidos da legenda. Conhecida pela forte presença em temas ligados aos direitos das mulheres, educação e inclusão social, Manuela vinha sendo uma das principais referências do partido para novas gerações.
Em nota oficial, o PCdoB ressaltou a importância da liberdade e das convicções individuais dentro do partido, mas reforçou o sentimento de perda com sua saída. “A trajetória de Manuela foi marcada por ideais que convergiam com os nossos, e o partido sempre teve um diálogo aberto com a ex-deputada, buscando um entendimento que, infelizmente, não se concretizou”, afirmou a nota.
Próximos passos e especulações
Ainda não está claro qual será o futuro político de Manuela d’Ávila. Até o momento, ela não manifestou interesse em se filiar a outro partido, e seus próximos passos permanecem incertos. A ex-deputada destacou que, após quase 25 anos de atuação no PCdoB, buscará novas formas de contribuir com o debate político e social do país.