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Relatório do Ministério da Justiça aponta aliança entre PCC e CV

Um relatório do Serviço de Inteligência do Ministério da Justiça revelou uma possível aliança entre as duas maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O documento indica que os grupos estariam unificando suas estratégias jurídicas para pressionar por mudanças no sistema penitenciário federal, que impõe rígidas restrições a seus principais líderes.

A cooperação entre as facções se dá, segundo o relatório, por meio da atuação conjunta de advogados que representam membros de ambas as organizações. O objetivo seria fortalecer a interlocução com o Judiciário e órgãos governamentais para pleitear demandas específicas, como a flexibilização das regras de visitação e contato físico dentro das unidades prisionais federais.

Acordo pode ter impacto nas ruas

Além da atuação no meio jurídico, as autoridades investigam a possibilidade de que essa aliança tenha se estendido para fora dos presídios. Mensagens interceptadas, supostamente trocadas entre integrantes do PCC e do CV, indicam que as facções podem ter estabelecido uma trégua nos conflitos que há anos marcam a disputa pelo controle do tráfico de drogas e armas no Brasil.

Uma das mensagens atribuídas ao PCC afirma que “mortes estão proibidas em todos os estados”, enquanto outra, atribuída ao CV, diz que ataques contra membros do PCC foram suspensos desde o dia 11 de fevereiro. O Ministério da Justiça ainda analisa a autenticidade dessas comunicações.

Para o promotor Lincoln Gakiya, especialista na investigação do PCC há mais de 20 anos, essa aliança pode ter implicações graves para a segurança pública nacional. “A união das duas maiores organizações criminosas do país pode levar a um incremento no tráfico internacional de cocaína e no tráfico de armas para o Brasil. É um compartilhamento de rotas e, sobretudo, um fortalecimento ainda maior dessas facções”, alerta.

Pressão contra o sistema penitenciário

O relatório aponta que o PCC já estaria organizando um abaixo-assinado com o objetivo de coletar mais de 1,6 milhão de assinaturas. O documento seria utilizado para pressionar autoridades a flexibilizarem regras do regime disciplinar diferenciado (RDD), vigente nos presídios federais.

Atualmente, os detentos dessas unidades cumprem pena em isolamento, com direito a apenas duas horas diárias de banho de sol e visitas monitoradas, sem contato físico. Além disso, não podem acessar televisão, rádio, jornais, revistas, internet ou telefone.

Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, a manutenção dessas restrições é essencial para conter o avanço do crime organizado. “A capacidade de isolamento é necessária para que se interrompam os mecanismos de comunicação e articulação das lideranças”, destacou.

Estado enfrenta desafio crescente

A possível aliança entre PCC e CV ocorre em um cenário de desafios cada vez maiores para o combate ao crime organizado no Brasil. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país já conta com mais de 70 facções criminosas identificadas, cada uma operando em diferentes estados e atividades ilícitas.

David Marques, coordenador da entidade, enfatiza que a questão vai além da rivalidade entre as facções. “O desafio que o Estado brasileiro tem com relação a essas organizações vai muito além dessa pacificação entre elas. Trata-se de consolidar a democracia e proteger as instituições democráticas”, afirmou.

As investigações sobre a possível aliança entre PCC e CV seguem em andamento. O Ministério da Justiça e órgãos de segurança pública monitoram as movimentações das facções para avaliar os impactos dessa cooperação tanto dentro dos presídios quanto nas ruas.

Fonte
Foto: Alex Silvacom informações do g1

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