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Estudante da UFRGS tenta participar de colação de grau com suástica no rosto

Universidade registrou ocorrência na Polícia Federal e avalia medidas administrativas

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) denunciou à Polícia Federal um estudante do curso de Engenharia de Minas que tentou participar da cerimônia de colação de grau com o símbolo de uma suástica desenhado no rosto. O caso ocorreu na terça-feira (18), no Campus Centro, em Porto Alegre.

O formando foi advertido pela instituição e obrigado a remover o desenho antes de participar da solenidade. Segundo a UFRGS, a suástica, associada historicamente ao regime nazista, foi identificada pelos organizadores do evento, que impediram o estudante de colar grau até que apagasse o símbolo. Outros desenhos permaneceram em seu rosto, pois não tinham relação com o nazismo.

Diante do episódio, o vice-reitor Pedro Costa e o coordenador de Segurança da universidade, Mozarte Simões da Costa Junior, registraram ocorrência na Superintendência da Polícia Federal em Porto Alegre nesta quarta-feira (19), seguindo orientação da Procuradoria Federal na UFRGS. Além disso, a Reitoria informou que se reunirá na sexta-feira (21) para discutir as medidas cabíveis.

Defesa do estudante nega intenção nazista

Em nota divulgada na quinta-feira (20), a defesa do aluno negou qualquer relação do estudante com ideologias totalitárias e alegou que o símbolo representava uma suástica de origem hindu, tradicionalmente associada ao bem-estar e à prosperidade. Os advogados afirmaram ainda que o estudante é “veementemente contrário a qualquer forma de discriminação, intolerância ou discurso de ódio”.

A defesa também criticou a repercussão do caso, alegando que a imagem de Vinícius foi divulgada fora de contexto e sem direito de resposta, resultando em exposição indevida e ameaças contra o estudante e sua família.

Repercussão e possíveis punições

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS enviou um ofício à Reitoria solicitando a anulação da diplomação do aluno. A União Nacional dos Estudantes (UNE) também se manifestou, enfatizando que “apologia ao nazismo é crime” e cobrando providências da universidade.

Nas redes sociais, o deputado estadual Leonel Radde afirmou que um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI). No entanto, até a noite de terça-feira, a delegacia informou não ter tido acesso ao registro.

A UFRGS reforçou que não tolera manifestações de ódio e discriminação em seus espaços e que a decisão de manter a cerimônia teve como objetivo não prejudicar os demais formandos e seus familiares.

Crime previsto em lei

A apologia ao nazismo é crime no Brasil, conforme a Lei 7.716/1989, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão e multa para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos nazistas com finalidade de divulgação dessa ideologia. O racismo, segundo a Constituição Federal, é crime inafiançável e imprescritível.

O caso segue em investigação pela Polícia Federal e pela UFRGS, que avaliará quais medidas administrativas poderão ser tomadas contra o estudante.

Fonte
com informações da CNN Brasil

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