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Trabalhadores expostos ao sol têm direito a protetor solar gratuito no RS

Programa estadual atende 59 mil pessoas, mas muitos ainda desconhecem o benefício

Trabalhar ao ar livre sob o sol escaldante é uma realidade para milhares de gaúchos. A exposição prolongada aos raios ultravioleta pode causar queimaduras, envelhecimento precoce da pele e até mesmo câncer. Para minimizar esses riscos, o Rio Grande do Sul mantém um programa estadual que distribui protetor solar gratuitamente para trabalhadores expostos ao sol, como agricultores, pescadores e apicultores.

Atualmente, cerca de 59 mil pessoas recebem o benefício, mas muitas ainda desconhecem o direito ou não sabem como realizar o cadastro. A distribuição ocorre por meio das Farmácias de Medicamentos Especiais, presentes em todos os municípios gaúchos. Segundo Jaciara Muller, secretária-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS (Fetag), os beneficiários podem retirar três frascos do produto por ano, com um intervalo de quatro meses entre cada retirada.

Riscos da exposição solar

A importância da proteção solar é reforçada pelo dermatologista Wagner Bertolini, da Santa Casa de Porto Alegre. Segundo ele, trabalhadores que permanecem expostos ao sol por longos períodos enfrentam um risco significativamente maior de desenvolver câncer de pele, especialmente no Rio Grande do Sul, onde há uma grande população descendente de imigrantes alemães e italianos, grupos que geralmente possuem pele mais clara e sensível aos raios solares.

A pescadora Alessandra Oxley, de Pelotas, utiliza o protetor solar diariamente antes de iniciar a jornada de trabalho com o marido. Para ela, a proteção não é um luxo, mas uma necessidade. “Aqui na colônia, conhecemos várias pessoas que perderam a vida por causa do câncer de pele. Quando temos amigos que passaram por isso, percebemos como é essencial se proteger”, relata.

Iniciativas municipais ampliam acesso

Além do programa estadual, algumas cidades adotaram soluções próprias para ampliar o acesso ao protetor solar. Em Igrejinha, a prefeitura mantém a única farmácia de manipulação pública do estado, onde o produto é fabricado artesanalmente. Com isso, o município consegue produzir o protetor pela metade do preço de mercado, garantindo a distribuição gratuita para trabalhadores expostos ao sol e para pacientes com doenças de pele.

O secretário de Saúde de Igrejinha, Vinicio Wallauer, destaca os benefícios da iniciativa. “Temos muitos trabalhadores, como agentes comunitários de saúde e funcionários da secretaria de obras, que passam o dia inteiro sob o sol. Esse programa permite que eles tenham proteção sem custos”, afirma.

Onda de calor intensifica riscos

O alerta para o uso do protetor solar se torna ainda mais importante diante da onda de calor que atinge o estado. Na última semana, Quaraí registrou 43,8°C, a maior temperatura do Rio Grande do Sul desde o início das medições em 1910. Porto Alegre também enfrentou máximas superiores a 37°C. Segundo a Climatempo, as temperaturas devem permanecer pelo menos 5°C acima da média por vários dias, aumentando os riscos para quem trabalha sob o sol.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de grande perigo, válido até segunda-feira (10), para diversas regiões do estado, incluindo as áreas Central, Oeste, Norte e Metropolitana. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de medidas preventivas, como o uso do protetor solar, chapéus e roupas leves, além da hidratação constante.

Com a intensificação das ondas de calor e o aumento dos riscos para a saúde, garantir o acesso ao protetor solar gratuito é fundamental para proteger a população trabalhadora do Rio Grande do Sul. Apesar dos avanços do programa estadual, ainda há desafios a serem superados, como a ampliação da informação e o aumento do número de beneficiários.

Fonte
Foto: NBCcom informações do G1

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