CAPAESPECIAISGeralRio Grande do Sul

Protege Química: quando o empreendedorismo impacta e transforma vidas para sempre

O que começou como um projeto de escola técnica tornou-se um negócio capaz de mudar a vida de fumicultores. Franciele e Júlia, jovens químicas e empreendedoras, desenvolveram um creme inovador que protege os trabalhadores da Doença da Folha Verde do Tabaco.

Uma faísca de curiosidade em um projeto da escola técnica floresceu e se transformou em um negócio inovador com o potencial de impactar a vida de milhares de fumicultores.

Franciele e Júlia, duas jovens com uma amizade que atravessa a vida estudantil, são as mentes por trás da Protege Química, uma startup que desenvolveu um creme protetor revolucionário contra a temida Doença da Folha Verde do Tabaco. 

A história, que começou nos laboratórios da Fundação Liberato em Novo Hamburgo, encontrou solo fértil e acolhimento em Santa Cruz do Sul, onde a empresa hoje prospera, sediada no Gauten, contanto com todo o apoio da instituição, assim como do Tecnounisc, que também contribui de forma ímpar na jornada empreendedora de Franciele e Júlia.

A gênese da Protege remonta a 2019, ano de conclusão do curso em Química de Franciele e Júlia. Diante do desafio de criar um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) relevante, a dupla se inspirou na vivência de Júlia, cuja família sempre trabalhou com o cultivo de tabaco.

O feedback positivo do fumicultor mostra a eficiência do creme.

A familiaridade com os desafios enfrentados pelos produtores, em especial o desconforto e a dificuldade de aderir ao uso das capas plásticas tradicionais sob o calor intenso, acendeu uma luz.

“A gente sabia da doença da folha verde do tabaco e da importância econômica do tabaco para o Rio Grande do Sul”, relembra Franciele em entrevista ao Central Santa Cruz. A partir dessa constatação, surgiu a pergunta crucial: por que o produtor não utiliza os EPIs de proteção? 

O desconforto era uma das hipóteses da dupla. E a resposta veio ao investigarem a resistência ao uso dos EPIs convencionais. 

Foi então que a experiência laboratorial das jovens trouxe a solução. “Nos laboratórios, a gente já tinha cremes protetores, já era uma tecnologia existente. Pensamos: por que não fazer um creme protetor para o tabaco?”, conta Franciele.

Dedicado um ano inteiro à formulação e testes rigorosos, com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o esforço culminou em um creme eficaz para o fumicultor.

Franciele e Júlia têm participado de feiras e eventos demonstrando o produto e o propósito da Protege.

Inicialmente, o foco das jovens era o mundo acadêmico, com o objetivo de participar de feiras de ciências e quem sabe, alçar vôos internacionais com bolsas de estudo. E os planos estavam dando certo: participaram de diversas feiras, algumas delas online devido à pandemia e, inesperadamente, um dos vídeos sobre o projeto chamou a atenção de uma fumageira de Santa Cruz do Sul.

“Foi assim que a gente entendeu que a proposta tinha um impacto real no dia a dia do produtor, e que também tinha viabilidade econômica”, explica Franciele. A partir desse momento, a ideia de empreender começou a ganhar força, culminando na fundação da Protege em 2021 e na mudança das jovens para Santa Cruz do Sul.

A trajetória, no entanto, não foi isenta de desafios. Conciliar a inexperiência inicial no mundo dos negócios com a necessidade de profissionalização foi um dos obstáculos, mas que já foi superado pela dupla após anos de empreendedorismo. 

Fumicultores aderirem ao uso do creme é motivo de muita satisfação para a Protege, que vê seu propósito sendo cumprido.

 “Muitas vezes no passado a gente acabou errando mesmo, por ter começado a empreender muito cedo, um falta de experiência típica de quem está no começo, mas graças ao apoio dos hubs de inovação e do nosso próprio esforço conseguimos superar esses desafios e hoje estamos prontas para empreender em alta performance e compreensão da dimensão dos negócios”.

Franciele ressalta a importância do apoio de programas de aceleração como o Gauten e Tecnounisc, que facilitaram a jornada empreendedora através do suporte em diversas áreas.

Outra batalha importante foi a questão regulatória. A normativa de produção integrada do setor fumageiro, que inicialmente previa apenas a distribuição de capas plásticas pelas fumageiras, representava uma barreira para a entrada do creme no mercado. Uma intensa articulação política, com destaque para o apoio do deputado Heitor Schuch, foi crucial para alterar a legislação, permitindo a inclusão do creme como um EPI de colheita válido.

Franciele e Júlia

Hoje, a Protege comercializa seu produto através de agropecuárias, cooperativas e sindicatos, com mais de 108 pontos de venda espalhados pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A expectativa é que em breve a parceria com as fumageiras se concretize, ampliando ainda mais o alcance do produto.

O feedback dos usuários tem sido extremamente positivo, o que motiva ainda mais as empreendedoras. “É a nossa maior motivação. Nas nossas redes sociais compartilhamos bastante os feedbacks deles, e até hoje a gente não teve nenhum feedback negativo”, celebra Franciele.

E as inovações não param por aí. Atentas às necessidades dos fumicultores, Francielle e Júlia já estão preparando o lançamento de uma nova versão do creme com fator de proteção solar. “Nossa próxima melhoria vai ser a proteção solar,” explicando que a ideia surgiu da demanda dos próprios agricultores.

A Expoagro Afubra 2025 também representou uma excelente oportunidade para a Protege consolidar sua presença no mercado e interagir diretamente com os produtores. A empresa esteve presente no espaço de inovação da Unisc, onde apresentou o produto ao mercado.

Ao final da entrevista, Franciele expressou sua gratidão à cidade que as acolheu de braços abertos. “Eu acho que eu deixaria de mensagem um agradecimento a Santa Cruz, porque ela foi uma cidade que nos abraçou, nos acolheu. Hoje a gente está incubado e nosso escritório é no Parque de Tecnologia de Santa Cruz, no Gauten.” 

“A gente é muito feliz de se considerar uma santa-cruzense hoje em dia”, declarou. 

Franciele afirma que o forte laço que se criou entre as jovens empreendedoras e a comunidade local é fundamental para inspirar um trabalho ainda mais eficiente.

A história de Francielle e Júlia é um exemplo de como a visão empreendedora, aliada à ciência e à sensibilidade para as necessidades da comunidade, pode gerar soluções capazes de transformar vidas para sempre.

Fonte
Fotos: Divulgação Protege

Artigos relacionados

Chamar agora
Fale com a Redação!
Tu comunica, a gente publica. Aqui a tua voz vira notícia. Fala com a gente!
×