Preço da carne bovina baixou 12% em um ano no RS, entenda os motivos

A carne bovina, uma das proteínas mais presentes na mesa das famílias gaúchas, acumula uma queda significativa de 12,02% em seu preço médio no último ano, de acordo com dados do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Comparando os valores de setembro de 2024 com o mesmo mês de 2023, essa redução nos preços é reflexo de um cenário marcado pela maior oferta de carne no mercado e por um consumo interno que não acompanhou o crescimento da produção.
Oferta em alta, demanda em queda
Especialistas apontam que o aumento nos abates de gado, em um momento de aceleração do ciclo pecuário, é o principal fator para essa queda nos preços. O economista-chefe da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Antônio da Luz, explica que os pecuaristas aumentaram o número de abates, incluindo matrizes, em um cenário onde o preço do boi caiu de forma significativa. Esse aumento na oferta, no entanto, não foi acompanhado por um crescimento na demanda interna, o que resultou na queda nos preços.
— O que estamos vivendo é o reflexo do ciclo pecuário. Há um volume de abates mais elevado do que a demanda, e isso faz com que os preços caiam — afirmou Antônio da Luz.
Cortes com maiores quedas
Entre os cortes que mais apresentaram redução estão o vazio, o contrafilé e o filé mignon, com quedas que variam entre 17,17% e 16,31% no período. Esses dados são apurados em pesquisas realizadas nos principais mercados consumidores de carne bovina do Rio Grande do Sul, com destaque para Porto Alegre, que concentra o maior percentual de consumo.
Apesar dessa queda generalizada, os preços dos cortes ainda podem variar conforme o local de compra e a região, sendo possível encontrar diferenças significativas entre os valores nos supermercados e açougues.
Impacto no consumidor
A queda no preço da carne bovina traz alívio para o orçamento das famílias, especialmente as de classes mais baixas, que vêm enfrentando dificuldades financeiras. O coordenador do NESPro, professor Júlio Barcellos, destaca que a redução no consumo de carne bovina está diretamente relacionada ao empobrecimento de algumas camadas sociais, o que também ajuda a manter a demanda reprimida.
— O empobrecimento das classes C e D tem pesado muito no orçamento dessas famílias, e com o orçamento apertado, elas passaram a consumir menos carne bovina. De um lado, temos uma maior oferta de carne, e do outro, uma demanda menor, o que acaba impactando nos preços — explica Barcellos.
Previsão para o mercado
Com o volume de abates ainda elevado e a demanda interna sem sinal de recuperação imediata, especialistas não preveem uma alta significativa nos preços da carne bovina a curto prazo. Além disso, a economia brasileira ainda enfrenta desafios relacionados à recuperação da renda das famílias, o que pode manter o consumo de carne abaixo dos níveis pré-pandemia.
Por enquanto, os consumidores gaúchos continuam a se beneficiar da queda nos preços, especialmente nos cortes mais nobres, enquanto o mercado busca um novo equilíbrio entre oferta e demanda.