
Já ouviu falar em óleo composto, creme culinário ou composto lácteo? Se a resposta for sim, você está por dentro de um fenômeno crescente nos supermercados brasileiros: a proliferação de produtos similares que, em tempos de inflação acelerada, confundem o consumidor e desafiam a indústria.
O caso mais recente é o do “café fake”, um pó para preparo de bebida à base de café que viralizou nas redes sociais. Vendido em embalagem quase idêntica à do café tradicional, o produto é uma mistura de café com impurezas que, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), sequer possui registro na Anvisa para ser comercializado.

A prática não é nova. Em tempos de crise, a busca por alternativas mais baratas leva à popularização de produtos que “parecem, mas não são”. A lista é extensa: bebidas lácteas similares ao iogurte, óleo composto (mistura de azeite com outros óleos vegetais), creme culinário (similar ao creme de leite), e por aí vai.
A lógica é simples: baratear custos e atrair o consumidor pelo preço, mesmo que a qualidade seja inferior. O problema é quando a linha que separa o similar do “original” se torna tênue, induzindo o consumidor a comprar gato por lebre.

A legislação brasileira permite a comercialização de similares, desde que a diferença em relação ao produto original esteja clara no rótulo. Mas nem sempre é o que acontece. Embalagens semelhantes, informações confusas e alegações publicitárias enganosas são artimanhas que confundem o consumidor.
O “café fake” é um exemplo extremo, mas ilustra bem o problema. A Abic alerta que o produto não é café, e sim uma mistura de baixa qualidade. A Anvisa, por sua vez, afirma que o produto não possui registro para ser comercializado. Ou seja, o “café fake” é um risco para a saúde do consumidor.
Mas como se proteger dessa avalanche de “parece, mas não é”? A dica é redobrar a atenção na hora da compra. Leia atentamente o rótulo, compare a lista de ingredientes com a do produto original e desconfie de preços muito abaixo do mercado.
A ordem dos ingredientes na lista é decrescente, ou seja, os primeiros são os que estão em maior quantidade. Fique de olho em ingredientes como corantes, aromatizantes e edulcorantes, que podem indicar um produto ultraprocessado.