
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) e deve elevar a taxa básica de juros (Selic) de 13,25% para 14,25% ao ano, segundo projeções do mercado financeiro. Caso confirmado, esse será o maior nível desde agosto de 2006, quando a taxa atingiu 14,75% ao ano, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão do Copom será divulgada no fim da tarde e marcará o quinto aumento consecutivo da Selic. O objetivo do Banco Central é conter a inflação em um cenário de economia aquecida. Com a taxa de juros mais alta, o acesso ao crédito se torna mais caro, reduzindo o consumo e, consequentemente, a pressão inflacionária.
Inflação alta preocupa o Banco Central
Em fevereiro, a inflação oficial do país ficou em 1,31%, o maior patamar para o mês desde 2003 e o nível mais alto desde março de 2022, quando os preços subiram 1,62%. No acumulado de 12 meses, o índice registrou alta de 5,06%, ultrapassando a meta estipulada pelo governo.
O Banco Central justifica a necessidade de juros elevados devido a fatores como a resiliência da atividade econômica, um mercado de trabalho aquecido, aumento dos gastos públicos e o cenário internacional que tem pressionado o dólar.
Copom sob nova liderança
Esta será a segunda reunião do Copom presidida por Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula e empossado em janeiro deste ano. Também é o segundo encontro em que os diretores indicados pelo atual governo são maioria no colegiado. A autonomia operacional do Banco Central, em vigor desde 2021, garante que os diretores tenham mandatos fixos, independentemente da gestão presidencial.
Fed mantém juros e mercado acompanha impactos
No mesmo dia, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciará sua decisão sobre a taxa de juros americana. A expectativa é que a instituição mantenha os juros no intervalo de 4,25% a 4,50% ao ano. Investidores monitoram de perto os impactos das tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente Donald Trump, que podem influenciar a inflação e a atividade econômica global.
Efeitos da alta dos juros na economia
A elevação da taxa Selic tem impactos diretos na economia brasileira. Entre as principais consequências estão:
- Juros bancários mais altos: Em janeiro, a taxa média de juros para operações de crédito a pessoas físicas e empresas chegou a 42,3% ao ano, o maior nível em 16 meses.
- Desaceleração do crescimento econômico: Com crédito mais caro, o consumo tende a cair, impactando o PIB, o emprego e a renda.
- Aumento dos gastos públicos: Juros mais altos elevam as despesas com a dívida pública, que somaram R$ 950 bilhões em 2024, o equivalente a 8% do PIB.
- Rendimento maior para aplicações em renda fixa: Investimentos como o Tesouro Direto e debêntures se tornam mais atrativos, enquanto a Bolsa de Valores pode perder força.
O Copom destaca que as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para produzir efeitos plenos na economia. Por isso, a política monetária já está mirando nas metas de inflação para o segundo semestre de 2026. Para 2025, a expectativa do mercado é que a inflação encerre o ano em 5,68%, acima do limite superior da meta estipulada pelo Banco Central.