
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, na sexta-feira (18), a proibição da venda, propaganda e utilização de implantes hormonais manipulados conhecidos como “chips da beleza”. A medida foi tomada após a constatação de que esses dispositivos, amplamente utilizados por prometerem aumento de massa muscular, redução de gordura corporal e melhora da libido, oferecem sérios riscos à saúde, sem comprovação de eficácia.
Segundo a Anvisa, os “chips da beleza” contêm hormônios como gestrinona, testosterona e oxandrolona – classificados como anabolizantes – e são aplicados no braço ou glúteo das pacientes. Esses implantes, que têm entre três e cinco centímetros e duram de cinco meses a três anos, liberam hormônios masculinos lentamente na corrente sanguínea. O uso dos implantes pode levar a complicações como aumento do colesterol e triglicerídeos (dislipidemia), hipertensão, arritmia cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), além de efeitos colaterais como crescimento excessivo de pelos, queda de cabelo, acne, alterações vocais, insônia e agitação.
A Anvisa reforçou que esses implantes não foram submetidos à sua avaliação e que não existem registros de produtos semelhantes para fins estéticos, tratamento de fadiga ou de sintomas da menopausa. “O uso de implantes hormonais sem registro pode trazer graves riscos à saúde”, alertou a agência.
A decisão da Anvisa vem em meio a pedidos de fiscalização mais rígida por parte de sociedades médicas, que já haviam condenado o uso do “chip da beleza” devido ao risco real para os pacientes.