Ventos podem trazer fumaça das queimadas ao RS neste fim de semana

A MetSul Meteorologia emitiu um alerta sobre o retorno da fumaça das queimadas à região Sul do Brasil neste fim de semana, após uma breve melhora na qualidade do ar. A frente fria que passou nos últimos dias, acompanhada de ar polar, afastou temporariamente a fuligem, empurrando-a para o Centro do país. No entanto, novos modelos de dispersão de aerossóis, como o europeu CAMS do Sistema Copernicus, indicam que o denso corredor de fumaça, proveniente das queimadas na Amazônia e países vizinhos, deve atingir novamente os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O fenômeno está relacionado ao aumento no número de queimadas na região amazônica do Brasil, especialmente no sul do Amazonas, Pará, Rondônia e Mato Grosso, além da Bolívia. A fumaça se espalha por milhares de quilômetros, atravessando também territórios da Bolívia, Paraguai e Argentina, formando um corredor de poluição que chega até o Sul do Brasil.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam a gravidade da situação. Somente nos primeiros cinco dias de setembro, foram registrados 11.590 focos de calor na Amazônia brasileira, cerca de um terço da média histórica do mês inteiro, que é de 32.245 focos.
No Pará, foram identificados 5.494 focos, mais da metade da média histórica mensal. O Amazonas teve 1.494 focos, quase metade da média mensal, e o Mato Grosso contabilizou 5.235 focos, também próximo à metade da média histórica de setembro.
A Bolívia também enfrenta uma situação crítica. O país registrou 9.235 focos de calor nos primeiros dias de setembro, número que se aproxima da média histórica de queimadas para todo o mês, que é de 11.916 focos.
Com a dispersão da fumaça, as regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil devem ser afetadas. No Sul, a expectativa é de que a fuligem seja mais perceptível no fim de semana, trazendo possíveis impactos à qualidade do ar e à saúde da população.
O corredor de fumaça se estenderá também para o Oceano Atlântico e poderá alcançar estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Os especialistas alertam que a densidade do material particulado será mais alta na Região Norte, especialmente em Rondônia e no Sul do Amazonas. Além dos riscos à saúde respiratória, o fenômeno pode afetar a visibilidade e agravar problemas ambientais.