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Queimadas geram risco de apagões e aumento do preço de alimentos no RS

Na semana em que as queimadas no Centro-Oeste e no Norte do Brasil intensificaram o corredor de fumaça, atingindo várias regiões do país, o governo federal incluiu oficialmente os incêndios no escopo da crise climática. A gravidade do cenário reflete a maior estiagem registrada pelo Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), o que está pressionando setores essenciais da economia, como energia e alimentos.

Os incêndios florestais, concentrados em estados como Amazonas, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins, estão provocando uma crise que vai além das fronteiras dessas regiões. Os impactos atingem áreas urbanas e rurais, com consequências econômicas que afetam todo o país.

Alerta para Energia e Alimentos

Dois setores críticos estão no radar do governo: energia elétrica e alimentos, que juntos representam um quarto da composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), responsável por medir a inflação. Segundo estimativas do Instituto Acende Brasil, a seca e as queimadas podem elevar a inflação em até 0,75 ponto percentual até o final do ano.

No setor agrícola, a preocupação é com os possíveis atrasos no plantio de grãos, como a soja, devido à baixa umidade e às queimadas. “O Centro-Oeste já teve uma safra prejudicada pela estiagem, e um novo atraso no plantio seria economicamente danoso”, afirma Antônio da Luz, economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Ele alerta ainda que, embora esse cenário ainda não tenha se materializado, o risco é real.

Além disso, o impacto na pecuária já é visível. O valor da carne bovina, que caiu 12% no Rio Grande do Sul este ano, pode subir em breve, já que a seca está forçando pecuaristas a anteciparem o abate de matrizes devido à falta de pastagens. Com a oferta temporariamente maior agora, a tendência é de escassez no futuro, o que deve elevar os preços em 2025.

Pressão nas Contas de Luz e Risco de Apagões

A crise hídrica também afeta diretamente o setor de energia. Grande parte da geração de eletricidade no Brasil depende de hidrelétricas, que são abastecidas por reservatórios de água. Com a seca, as vazões afluentes – a quantidade de água que entra nesses reservatórios – estão em níveis historicamente baixos, principalmente no Norte e no Nordeste. Enquanto o Sul, que enfrentou excesso de chuvas no início do ano, está em situação mais confortável, as outras regiões enfrentam um cenário preocupante.

Para evitar uma crise energética, o governo já acionou algumas termelétricas, que utilizam combustíveis fósseis mais caros e poluentes para gerar eletricidade. Essa medida, embora preventiva, já resultou no aumento da conta de luz. Em setembro, os consumidores sentirão o impacto da bandeira tarifária vermelha, que elevará as tarifas em média 6,06%. Segundo o economista Claudio Sales, do Instituto Acende Brasil, esse aumento deve refletir no IPCA, contribuindo para o crescimento da inflação.

Impactos na Inflação e na Economia

Os efeitos das queimadas, aliados à estiagem, têm potencial para desestabilizar ainda mais a inflação, especialmente no setor de alimentos. A produção agrícola já está sendo afetada, e alimentos como frutas, hortaliças, açúcar e café estão com preços mais altos devido às queimadas que atingem plantações. Isso afeta diretamente os consumidores, sobretudo as famílias de baixa renda, que veem seu poder de compra diminuído.

Além disso, o aumento dos custos de energia também atinge o comércio e a prestação de serviços, setores que dependem de eletricidade para operar. A combinação de preços mais altos e incertezas climáticas está levando à retração de investimentos e à redução da capacidade produtiva em diversas áreas.

O Papel das Queimadas e do El Niño

As queimadas, que se tornaram mais frequentes devido à estiagem prolongada, estão ligadas às mudanças climáticas. O fenômeno El Niño, que aquece as temperaturas no Sudeste e no Centro-Oeste, intensifica a evapotranspiração – o processo de evaporação da água do solo e das plantas. Isso reduz ainda mais a umidade, criando condições favoráveis para incêndios. Com a vegetação mais seca, os incêndios se propagam com mais facilidade, agravando a crise.

Além de afetar o Norte e o Centro-Oeste, as queimadas e suas consequências climáticas já foram sentidas no Sul, que em maio deste ano sofreu com enchentes históricas.

Perspectivas para o Futuro

O cenário atual é de incerteza, mas o governo federal já está adotando medidas emergenciais. Durante visita ao Amazonas, o presidente Lula anunciou a criação de uma autoridade climática nacional para coordenar as ações de combate à crise hídrica e às queimadas. No entanto, o impacto total dessas medidas ainda dependerá do desenrolar da seca e do comportamento do clima nos próximos meses.

Enquanto isso, os brasileiros seguem sentindo os efeitos das queimadas em múltiplos aspectos de suas vidas: desde o aumento na conta de luz até a alta nos preços dos alimentos. A perspectiva de apagões e de uma inflação mais alta coloca em alerta a população e as autoridades para os desafios que estão por vir.

Fonte
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebomcom informações do GZH

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