Com 5 casos de mpox no RS, Secretaria da Saúde destaca baixa procura por vacina

O Rio Grande do Sul registrou cinco casos de mpox em 2024, de acordo com informações da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Embora os casos sejam de cepas anteriores à variante que motivou a declaração de emergência sanitária global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a baixa procura pela vacinação contra a doença tem gerado preocupação entre as autoridades de saúde.
A vacinação pré-exposição, destinada a grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV/Aids e profissionais de laboratórios que trabalham diretamente com Orthopoxvírus, não atingiu a adesão esperada. Segundo a SES, dos quase 3 mil imunizantes distribuídos aos municípios gaúchos, cerca de 1,7 mil foram aplicados até o momento.
A baixa procura é um ponto de atenção para os especialistas, considerando que o estado recebeu 4,2 mil doses do Ministério da Saúde, mas parte delas foi remanejada de volta à pasta federal a pedido do próprio ministério. A SES ainda destaca que pode haver discrepâncias nos números devido a atrasos no registro das doses aplicadas ou perda técnica das vacinas, que possuem validade limitada após o descongelamento.
Alerta epidemiológico
No dia 19 de agosto, o governo do estado emitiu um alerta epidemiológico com orientações para profissionais de saúde e a população em geral, reforçando a importância da prevenção e da vacinação, principalmente com a tendência de aumento de casos. O virologista Fernando Spilki aponta que a situação atual indica uma nova expansão da doença, especialmente ligada à variante Clado II, que provoca uma forma mais branda da doença em comparação à variante Clado Ib, responsável pela emergência global.
Casos confirmados no RS
Até o momento, os cinco casos de mpox no Rio Grande do Sul foram registrados nas cidades de Porto Alegre, Passo Fundo e Gravataí:
- Porto Alegre: Três casos confirmados, sendo dois residentes infectados em viagens (um no Rio de Janeiro e outro no Canadá), e um terceiro, residente em São Paulo, que realizou o teste no Rio Grande do Sul.
- Passo Fundo: Um caso, em residente infectado em São Paulo em julho.
- Gravataí: Um caso, ocorrido em janeiro.
Embora a variante Clado II tenha uma letalidade inferior a 1%, os especialistas alertam para a importância da vacinação, especialmente para pessoas que convivem com HIV/Aids, já que a letalidade pode ser maior em pacientes imunossuprimidos.
Fernando Spilki faz um comparativo para reforçar a importância do controle da doença: “A letalidade da variante Clado II é semelhante à da gripe em adultos, o que significa que, embora o número pareça baixo, mortes ainda podem ocorrer.”