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Casos de coqueluche aumentam mais de 620% no RS e acendem alerta para vacinação

O Rio Grande do Sul enfrenta um surto preocupante de coqueluche, com um aumento de 620% nos casos em 2024, em comparação ao ano anterior. Os dados são do Ministério da Saúde e revelam um recorde de registros da doença nos últimos 10 anos. Este cenário alarmante levou a Sociedade de Pediatria do RS a emitir um alerta sobre a importância da vacinação para conter o avanço da doença.

Até o momento, o estado contabiliza 363 notificações da doença neste ano, das quais 166 foram confirmadas como infecções por coqueluche. O número é o maior desde 2014, quando 260 casos foram registrados. A tendência de crescimento não é exclusiva do RS, pois o Brasil como um todo também enfrenta uma alta nos números, com ao menos 12 mortes confirmadas em 2024.

O que é a coqueluche e como afeta a população?

A coqueluche é uma doença bacteriana altamente contagiosa, transmitida principalmente pelo ar. Seu principal sintoma é a tosse seca persistente, que pode durar de 6 a 10 semanas, acompanhada de crises que provocam mal-estar e, em casos graves, falta de ar. Apesar de ser mais comum em crianças, adultos e idosos também podem contrair a doença.

O diagnóstico é feito por meio de exame de PCR para Bordetella pertussis, realizado com coleta de secreção da orofaringe. Contudo, o exame ainda é pouco acessível pelo SUS e por convênios médicos, o que torna a notificação e o tratamento precoces indispensáveis.

Baixa cobertura vacinal é motivo de preocupação

A vacinação é a principal forma de prevenir a coqueluche, mas a cobertura vacinal no RS está abaixo da meta estabelecida. Atualmente, apenas 88% do público-alvo foi imunizado, enquanto o objetivo do Ministério da Saúde é atingir 95%.

O calendário vacinal para crianças inclui três doses da vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforços da tríplice bacteriana aos 15 meses e aos 4 anos. Gestantes também têm direito à imunização com a vacina que protege contra tétano, difteria e coqueluche, oferecida gratuitamente pelo SUS.

“O aumento expressivo de doenças evitáveis, como a coqueluche, reflete a baixa adesão à vacinação. Este crescimento não é um problema exclusivo do Brasil, mas uma tendência mundial, que precisa ser enfrentada com campanhas de conscientização e reforço vacinal”, destaca Marcelo Scotta, infectologista pediátrico da Sociedade de Pediatria do RS.

Importância da notificação e tratamento preventivo

A Sociedade de Pediatria reforça a necessidade de que todos os casos suspeitos sejam notificados à Vigilância em Saúde, permitindo uma resposta ágil para conter a disseminação da doença.

Benjamin Roitman, diretor da entidade, orienta que médicos notifiquem casos suspeitos por meio dos números disponibilizados e ampliem o tratamento para os contactantes do paciente. “Mesmo sem confirmação laboratorial imediata, a tosse persistente por mais de 10 dias deve ser considerada um indício de coqueluche e tratada adequadamente”, enfatiza.

Uma chamada à ação

Com números alarmantes e a reemergência de uma doença controlável, o apelo das autoridades de saúde é claro: a vacinação é a chave para frear o avanço da coqueluche no estado e proteger crianças, gestantes e toda a população.

Além disso, campanhas de conscientização sobre a notificação de casos e o tratamento adequado são fundamentais para evitar que o surto atual se transforme em uma epidemia ainda maior.

Fonte
com informações do G1Foto: Reprodução

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